Gaia
Das primeiras divindades gregas, a maior e a mais antiga é Gaia, a deusa Terra. A Grande Mãe que gera a vida, dá sustento e possibilita a ordem do mundo. Ela é a personificação do poder matriarcal das antigas civilizações. Gaia também é um conceito filosófico, usado para exprimir o respeito por todos os seres que nasceram de uma só mãe, a Terra.
Em 1970, o cientista británico James Lovelock lançou, com a bióloga Lynn Margulis, a Hipótese de Gaia. Dela nasceu a Teoria de Gaia, pela qual o planeta Terra é um ser vivo, cuja biosfera é capaz de gerar, manter e regular as suas próprias condições de meio-ambiente. E o nosso comportamento coletivo influencia na saúde da terra e vice-versa.
Em 1991, ao reavivar a teoria, Lovelock escreveu: “Espero que não seja tarde para nossa espécie, como parte do sistema ecológico global, como parte de Gaia, encontrar o método científico correto (para resolver os problemas da terra). (…) Se nós perdermos o nosso sistema de vida, Gaia, (…), se manterá, e simplesmente sem nós.”
No Brasil, José Lutzenberger foi o maior defensor dessa teoria, que ele abordou no livro: Fim do Futuro? Manifesto Ecológico Brasileiro, de 1980. Nele avisou: “A continuar a atual cegueira ambiental e exploração irresponsável de nosso outrora pródigo meio natural, serão inevitáveis calamidades de magnitude nunca vista.
Somente uma transição rápida e atitudes fundamentalmente novas, atitudes de respeito e integração ecológica, poderão ainda evitar o desastre. Encontramo-nos num divisor de eras.” – Hoje, passados tantos anos de seu Manifesto, o que mudou? – Não está mais do que na hora de finalmente agirmos em vez de acelerarmos ainda mais o nosso fim?
