Dilúvio
“É como no tempo de Noé: uns dançam, outros cantam, e outros ainda se casam, enquanto o dilúvio se aproxima”.
Assim se expressou padre Edilberto Sena, em um de seus editoriais feitos diariamente na Rádio Rural de Santarém, no Estado do Pará – Brasil.
Ele se referia ao projeto do governo brasileiro de construção de cinco mega hidroelétricas na bacia do Rio Tapajós, sendo duas no Rio Tapajós e três no rio Jamanxin.
A grande questão de tudo isso é que ninguém (o governo, principalmente) leva em conta as incríveis mudanças que ocorrerão com esse projeto. Todos serão atingidos de alguma forma, os povos e a floresta, principalmente. O rio tapajós, em alguns trechos, vai ficar como um “filete” de água, afetando a navegação e, a pesca, por exemplo.
O pior de tudo é que muitos dos que serão diretamente atingidos com isso, ainda não se deram conta do “dilúvio” que está chegando.
Quando poucos se atrevem a profetizar o futuro e as catástrofes, são chamados de eco-chatos, ou atrasados, ou ainda intitulados “alguém que é contra o progresso local”. Tal qual aconteceu com Noé ao prevenir a todos do perigo do dilúvio que seria mandado por “Deus” para, enfim, acabar com uma humanidade promíscua e incrédula, assim acontece com os que se atrevem a intervir nessa obra de grande envergadura: são motivos de “chacota”.
A construção de hidroelétrica não tem nada a ver com a intenção de propor energia elétrica às comunidades amazônicas que ainda não possuem. É na verdade para facilitar a vida das multinacionais exploradoras do minério paraense e, de quebra, oferecer às regiões mais “avançadas” do país.
Infelizmente, ainda perdura o ganhar mais, o lucrar mais, e a valolrização da economia capitalista em detrimento ao meio ambiente, aos seres vivos.
Mas, ainda prefiro ser comparada a NOÉ, mesmo que me ridicularizem! Construir essa arca, para enfrentar o dilúvio, não está sendo fácil, mas, juntos, podemos chegar até o final.
