Zeitgeist, ou: a farsa da esperança

Arno Rochol
outubro 18, 2008, 7:34 am

(A fonte das próximas linhas é um capítulo do livro “Der Macht-Code, Spielregeln der Manipulation”,- O Código do Poder – Regras da Manipulaçãon, de Reiner Neumann y Alexander Ross, lançado pela Editora Carl Hanser Verlag, de Munique, em 2007.)

As pessoas de todos os tempos foram fascinadas pela idéia de achar que teriam poder sobre o seu destino, mas principalmente sobre o destino das demais. E criaram técnicas, doutrinas e ensinamentos secretos, misteriosos para romper a fronteira entre o objetivo e o subjetivo. Assim surgiram diversas doutrinas de salvação e as “receitas patenteadas”.

Os “donos” dos mistérios e das doutrinas de salvação prometem de tudo: desde uma vida sem problemas, sem divórcio nem câncer, passando por promessas de emprego, de amor e muito dinheiro, indo até à promessa da felicidade eterna em algum ponto das galáxias. A “receita” deles funciona, como se vê, pois os gurus da falsa esperança faturam como nunca.

A questão crucial é que os profetas e pastores de seitas e religiões não produzem só prazer, mas também muitos problemas individuais, traumas e graves freios e distúrbios sociais. É que por meio de técnicas refinadas, estruturas bem organizadas e meios de comunicação eficientíssimos, eles passam a ganhar controle sobre o seu rebalho de fiéis seguidores.

O psiquiatra norte-americano Robert J. Lifton dedicou grande parte de sua vida ao tema. Em seu livro: “O Pensamento Reformador e a Psicologia do Totalitarismo”, definiu oito indicadores, que caracterizam organizações, cuja finalidade é dominar as pessoas:

  1. O controle do meio: as pessoas são controladas, afastadas de seu ambiente acostumado, têm que abandonar seus hábitos, romper com seus contatos e também são isoladas localmente.
  2. Manipulação mística: a organização cultiva um deus todo poderoso, onipresente, e sua benção só é concedida através dela. Quem se afasta dela, se afasta de deus.
  3. Exigência de pureza: a organização está do lado dos bons. Só quem adere a ela e a professa é bom. Todos os demais são maus.
  4. Cultivo da confessão: culpa, pecados e defeitos têm que ser reconhecidos diante da comunidade.
  5. Ciência sagrada: o ensino da organização é declarada como máxima de vida suprema e é infalível.
  6. Linguagem tendenciosa: o grupo cultiva um idioma especial, que contém muitos estereótipos linguísticos e significados específicos.
  7. A doutrina é mais importante que o indivíduo: a vida e as opiniões do indivíduo sempre têm que subordinarse às ordens dos superiores.
  8. O direito à vida é concedido: a organização determina quem pode viver o terá que passar a um juízo final, que, em geral, virá em breve. As pessoas fora da organização não são dignas de viver.

Acho muito interessante estes oito indicadores de organizações que propagam ou impõem a farsa da perseverança. Observe os regulamentos, as leis, os códigos ou os mandamentos de uma organização que você conhece e veja quantos desses indicadores você descobre nela. Se for mais da metade, abra bem os olhos.

A importância de não cairmos nas “garras” das diversas doutrinas de salvação e de não deixarmos nos levar por “receitas patenteadas” e promessas ilusórias está na cara: se quisermos realmente construir uma sociedade justa e democrática, devemos saber que a vida se desenvolve no aqui e agora.

É esta nossa terrinha que está sendo destruída, inclusive devido a muitas ideologias da “falsa esperança”. E temos que abrir os olhos antes que seja tarde. Se já não for. Aliás, há um filme muito interessante que poderá ajudar a perceber melhor o nosso mundo: “Zeitgeist”. Dê uma olhada em http://video.google.com/videoplay?docid=-1437724226641382024

“Zeitgeist” é um termo alemão e significa “espírito da época”. Veja o filme! Apesar do choque, vale o prazer de se conhecer a realidade, pois muito pior é viver preso sob as cadeias de uma sociedade baseada em ilusórias esperanças e dominada por falsos gurus. Pois é preciso que abramos bem os olhos. Quanto antes, muitíssimo melhor!

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