Dia da Mátria
Mais um Sete de Setembro em nossas vidas. Dia da Pátria, dia de mostrar orgulho! – Orgulho? – De que? Tudo o que somos e o que temos são presentes que recebemos. Presentes pelos quais podemos ser gratos e com os quais podemos nos alegrar. Mas… orgulhar? Por que e… para que?
Dia da Pátria. Dia de mostrar força e poder. Soldados desfilando, armamentos à mostra. – E num Dia da Mátria, como “ela” iria se mostrar? Com certeza iria enfeitar-se e arrumar seus filhos bonitinho. Mas… quantos estão sem escola, com fome e na miséria? Nenhuma mãe gostaria de ver os seus filhos assim. – Mas… e a pátria? Não tá nem aí! Nem se importa!
Qual a mãe que educa seus filhos para matar os filhos de outras mães? Qual a mãe que exige de seus filhos, que matem ou morram por ela? – A pátria exige! – Mas… quem será, mesmo, que está por detrás da máscara da pátria? – E nós? Por quanto tempo ainda faremos de conta que não estamos vendo?
Houve uma época em que os militarmente mais fortes dividiram as terras deste mundo entre si, surgindo os atuais países. Em geral sem respeito algum por povos e culturas milenares. Nenhuma mátria teria feito isso. Os donos de pátrias, porém, assim o fizeram porque, para eles, a família dos outros é para ser explorada.
Depois, os donos de novas pátrias se declararam independentes e acharam que isso seria o máximo. Mas o mundo foi ficando menor, as fronteiras geográficas foram desaparecendo. Só que as pátrias ainda continuam a desfilar sua “independência ou morte”, suas “conquistas e vitórias”, seus “orgulhos nacionais”!
Hoje, sabemos que só temos um mundo para viver. Que todos os seres somos realmente irmãs e irmãos. Que os Estados continuam dependentes e que os senhores colonizadores só mudaram de más-cara e de nome. E que seguimos colonizados não só pela cobiça e cegueira deles, mas também por nosso comodismo.
Sonho com o Dia da Mátria. Com um feriado global, no qual vamos festejar o Dia de Gaia, da nossa mátria, com danças, concertos, exposições, espetáculos de teatro… e sem arma mortal alguma. Sem orgulho algum, mas com muita humildade, amor e respeito mútuos. Por todos os seres de nosso planeta!
Como a nossa mãe não irá ficar feliz neste dia! Como não iremos nos sentir felizes em seu dia! Em nosso dia, claro! Porque uma mãe bem sabe que o seu filho é parte dela. Uma mãe sabe! E Gaia sabe que somos filhos dela. E que, como toda mãe, ela nos ama muito. Mas muito mesmo.
Uma mãe quer eqüidade, quer jogo limpo para todos os seus filhos. E para ela também, é claro! E ela sabe que essa eqüidade é a base da justiça, do bem-estar, do bem-com-viver. E que só isso nos permitirá superar as mesquinhas fronteiras políticas atuais e criar condições mínimas para podermos sobreviver.
Está mais do que na hora de deixarmos os mesquinhos dias da pátria e passarmos a instituir um Dia da Mátria global. Mas não espere que banqueiros, empresários, políticos e líderes religiosos criem este dia, não! Eles estão por demais atarefados com a manutenção de seu cego e destruidor “joguinho” de poder.
Hoje, neste Sete de Setembro, se você ainda não fez, renda a sua primeira homenagem ao Dia da Mátria! Ao Dia de Gaia! Converse com uma formiga ou pergunte a uma barata, o que ela acha do futuro. Ou vá a uma favela, e diga às pessoas, que encontrar, que as ama, e que vai mudar sua vida também por elas.
Tenha certeza! Gaia ficará muito feliz. Seu coração irá bater mais forte. E se você ainda observar bem, verá que ela irá chorar… de emoção e de alegria! Saiba, aí, que as lágrimas dela também são as minhas. E serão as nossas lágrimas, limpando nosso coração, na manhã de uma nova aurora. Do nosso novo Dia da Mátria.
