Em Santarém
Gente boa, visível e invisível!
Estou em Santarém, à margem do Rio Tapajós, no Estado do Pará, para mais um curso para radialistas. A DW-AKADEMIE, departamento de formação da Deutsche Welle, da Alemanha, organiza com a Rede de Notícias da Amazônia e a Rádio Rural, de Santarém, um curso de Jornalismo Ambiental para radialistas de emissoras da rede. O curso vai desta segunda 4 até sexta 15 de agosto. Espero que tudo corra bem.
Quando cheguei à cidade, ontem, o taxista, Seu Climério, de seus mais de 60 anos, veio me contando como tinha sido sua infância em Santarém e o que dela restou. Sobretudo na questão da pesca de peixes, como do Piraíba, que lá pela década de 60 ainda se pescavam exemplares com 200 quilos, e com freqüência, e hoje que são raros e só chegam aos 2 e poucos quilos.
Seu Climério ainda me contou da vazente do rio, que deixou aparecer enormes ilhas e muita preocupação nas pessoas que se ligam à natureza. Disse ele que é da sedimentação, da terra que vai se acumulando no leito do Tapajós, por exemplo. Ao que, perguntei, se assim fosse, o rio também não deveria subir, em vez de baixar? Ele deu uma explicação meio incompreensível e deixamos esse ponto assim como estava.
A questão até não é se o leito do rio está baixando, se as ilhas estão se avolumando… a questão é que o rio está mudando a olhos vistos. E isso tem uma razão de ser. Há causas por detrás disso. E no fundo é toda essa mudança que a natureza manifesta com intensidade cada vez maior nos últimos anos. Mês de seca recorde em São Paulo? Chuvas doidas de volumes gigantescos em poucos minutos? Enchentes? Furacões?
Que continuemos a manter os olhos bem atentos! O coração antenado! A sensibilidade à flor da pele! E… que não desistamos nunca de lutar por mudanças. Já. Agora. Muitos nos agradecerão por isso. Sobretudo nossos filhos e netos.
Abraço, numa manhã de um novo dia, que sempre traz novas esperanças, apesar dos pesares…
Arno
