Guerras Climáticas
Guerras Climáticas I
No semanário alemão Stern de 10.04.08, chamou-me a atenção uma entrevista com o psicólogo social Harald Welzer, a respeito do livro que lançou, “Guerras Climáticas” (Klimakriege, Editora S. Fischer, Hamburgo), no qual, segundo o autor da matéria, ele delineia um quadro sombrio do futuro.
Para mim, porém, é bem mais do que isso! É um quadro aterrorizador, sobretudo pela admoestação que faz quanto ao “poder do habituar-se” aos fatos sem nos darmos conta desse processo, silencioso e letal, como já ocorreu inúmeras vezes na história da humanidade, de nos habituarmos a algo e, depois, acharmos que seja a coisa ”mais normal” do mundo.
E é bem isso que continua acontecendo hoje, só que em dimensões nunca dantes sentidas.
Meu passo seguinte foi obter o livro, cujo sub-título é: “Para quê se matará no século XXI”. E a curiosidade levou-me a iniciar a leitura… Melhor se não tivesse feito, porque roubou-me o sono e cá estou, às três da manhã, horário alemão de verão, escrevendo estas linhas para o nosso sítio Gruga.
Harald Walzer inicia seu livro com a seguinte introdução: “Um navio no deserto. O passado e o futuro da violência”. Acompanhe o início…
“Um tinir leve às minhas costas fez com que voltasse a cabeça. Seis negros seguiam enfileirados, sofrendo para subir a ladeira. Andavam eretos, lentos, balançando pequenas cestas de terra sobre a cabeça, e o tilintar acompanhava cada passo. [...] Podia contar suas costelas, as articulações de seus membros eram como nós de uma corda; cada um levava um anel de ferro no pescoço e todos estavam ligados a uma corrente, cujos elos pendiam entre eles e tinian simetricamente.” Esta cena, que Joseph Conrad descreve em seu romance “Coração das Trevas”, se passa no ápice do colonialismo europeu, visto do agora, há pouco mais de cem anos.
A brutalidade impiedosa com a qual as nações pré-industrializadas tentavam, à época, saciar sua sua fome de matérias-primas, terras e poder, e que marcou sua assinatura nos continentes, não pode mais ser reconhecida nas condições atuais dos países ocidentais. A lembrança da exploração, escravidão e destruição tornou-se vítima de uma amnésia democrática, como se os estados ocidentais sempre fossem como hoje são, apesar de sua riqueza e sua dianteira de poder terem sido construídos com uma história mortífera.
Apesar disso orgulham-se da descoberta, respeito e defesa dos direitos humanos, praticam a political correctness, e se engajam humanitariamente quando na África ou na Ásia uma guerra civil, uma inundação ou uma seca ceifam a base de sobrevivência das pessoas. Decidem intervenções militares para propagar a democracia e nisso se ignora que a maioria das democracias ocidentais baseia-se numa história de segregação, expurgações étnicas e genocídios”.
Espero que você, se ainda não se ocupou com o tema e não sabia disso, que você, a partir de agora, tente conscientizar-se mais das causas de nosso atual estado, para solucionar o problema por sua base. Assim daremos uma contribuição para que esses erros não se repitam no agora e no futuro.
Seguimos juntos! Até mais!
